domingo, 22 de abril de 2012

Aprendi com os mais vividos

Geraldino Brasil (1926-1996),
poeta alagoano radicado no Recife/PE.
de Adriano Santos* 

Aonde tenho ido
Pedem que aguarde.
É difícil, mas aguardo.
E por ser novo, ficam duvidosos.
Aguardo.

Nasci no comércio, tive lojas
Aguardei clientes.
Aguardei excursões.

121 dias pelo mês de maio.
183 pelo mês de dezembro.

Aguardei com o depósito cheio.
meses, saibam vocês que compram
nas feiras boas de artesanatos
Eu não creio, homem maduro,
que me negues um conselho
O que posso fazer no mês sem renda.

Se negares, como o mês que foi
de poucas vendas, ainda os tereis
nos próximos dias que virão.

Ou do ano seguinte, se for preciso.

Aguardar eu sei.

*Adriano Santos é estudante do 1º ano de Música no Unasp Engenheiro Coelho.

OBS.: O texto acima foi produzido para a disciplina Leitura e Produção de Texto (primeiro semestre de 2012) e é uma paródia do poema Aprendi nos Campos, de Geraldino Brasil (foto), reproduzido a seguir:

Aprendi nos Campos, 
de Geraldino Brasil

A onde tenho ido
têm dito que espere.
Espero.
Às vezes nem me ouvem.
Espero.

Nasci nos campos, tive terras.
Esperei as chuvas.
Esperei os sóis.

21 dias pelos pintinhos amarelos.
30 pelos patinhos do lago.

Esperei árvore crescer.
Anos, saibam vocês que compram
nos mercados os frutos já maduros.
E eu não creio, homem meu irmão,
que me negues o teu olhar fraterno
o tempo de uma árvore crescer.

Se o negares como uma
que foi sem frutos
ainda os terrei como os de outra que plantei.
Ou da seguinte, se for preciso.

Esperar é comigo.

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